Destaque

Por que manter o ENEM?
Christiane Romano
Professora de Português da Escola CEAD

A despeito dos últimos acontecimentos envolvendo o ENEM, os quais acarretaram na perda da credibilidade do exame por parte de algumas universidades, há motivos bastante contundentes para a manutenção do exame em termos pedagógicos.

O ENEM não apenas mede a capacidade do estudante de assimilar e acumular informações, antes o incentiva a aprender a pensar, a refletir e a "saber como fazer". Valoriza, portanto, a autonomia do jovem na hora de fazer escolhas e tomar decisões.
 
Elaborado com base na avaliação de habilidades e competências, o ENEM deixa de lado o conhecimento meramente conteudista para examinar a capacidade do aluno de relacionar fatos, aplicar conhecimentos das disciplinas em situações reais da vida cotidiana, interpretar textos, gráficos e problemas. As quatro áreas do saber que o exame compreende são: linguagens; códigos e suas tecnologias (incluindo redação); ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias.
A intenção do ministério da educação é adequar o currículo nacional do Ensino Médio aos moldes de avaliação propostos pelo ENEM. Tal revisão de currículo irá tornar o ensino e, consequentemente, o acesso às principais universidades do país mais democrático.
Considerando, portanto, o conteúdo do exame (contextualizado e interdisciplinar), o ENEM pode ser considerado como a mais efetiva forma de avaliação já existente. Logo, sua permanência nos processos seletivos para ingresso nas diversas universidades do país deve ser mantida.
 
A decisão de grandes Universidades como a USP e UNICAMP pela não utilização da nota do ENEM em seus vestibulares esse ano se deu por questões meramente estruturais, ou seja, a inviabilidade do processamento das notas sem alteração nos calendários já previamente definidos, o que acarretaria em grandes transtornos aos alunos. Tal decisão há de ser revista, no entanto, para o próximo ano.
 
Assim, a permanência do ENEM é uma realidade e, portanto, cabe às instituições de ensino e aos alunos estarem preparados para enfrentá-la.

 
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